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QUEIMAS

Queima não é o termo correto, mas usa-se para designar o processo em que os metais (pigmentos e óxidos) da tinta se fundem com o esmalte da porcelana ou aderem diretamente no material cerâmico.
Cada forno é um "produto individualizado", quer dizer, cada um atinge a chamada "temperatura ideal" marcando a sua temperatura que é captada pelo sensor no interior do forno e transmitida para o controlador no painel. Dependendo da localização do sensor, ele marca a mais, igual ou a menos do que outro forno da mesma fabricação. Essas diferenças de temperatura são consideradas normais, o mais importante é descobrir qual a "temperatura ideal", para o seu forno; isso é fundamental para o desenvolvimento de seu trabalho.

Siga alguns passos e veja como é simples :

  • Como descobrir a "temperatura ideal"?

    Fazendo algumas experiências com queimas de teste. De grande ajuda é solicitar ao fabricante das tintas a faixa de temperatura das mesmas.
    Pias ou outras porcelanas sanitárias precisam de uma pré-secagem antes da pintura. Proceda da seguinte maneira: Coloque a peça no forno deixando a parte porosa livre. Programe o forno até 100°C com a porta entre-aberta. Observe a umidade sair. Quando não sair mais umidade a peça estará em condições de ser pintada. Sua queima deverá ser lenta em torno de 5 horas.
    A título de orientação, apresentamos uma tabela com algumas faixas de temperatura que são usadas como referência, para os diferentes materiais e finalidades:

    Material Finalidade Graus centígrados (°C)
    Porcelana Moldagem 1.100 a 1.300
    Cerâmica Moldagem 850 a 1.300
    Vidro Moldagem 700 a 1200
    Baixo esmalte Vitrificação 950 a 1050
    Porcelana Pintura e decalcomania 650 a 860
    Louça Pintura e decalcomania 600 a 830
    Faiança Pintura e decalcomania 650 a 730
    Azulejos Pintura e decalcomania 600 a 830
    Vidro Pintura e decalcomania 450 a 600
    Cristal Pintura e decalcomania 450 a 600
    Ouro (Sobre tinta de porcelana) 680
    Ouro (Sobre esmalte da porcelana) 720

    Observe que para cada material relacionado existe uma margem entre a temperatura mais baixa e a temperatura mais alta. Para as experiências em seu forno pode ser utilizada a tabela acima como referência. 
    Por exemplo: para a primeira queima de teste pode ser utilizada a temperatura mínima indicada; a segunda queima de teste (em outra peça) a temperatura intermediária. Quando fizermos a segunda queima de teste, pode-se então comparar qual das duas atingiu o melhor resultado e, se necessário, se faz uma terceira queima de teste.
    Um bom curso de Porcelana ou Cerâmica inclui no seu currículo toda a tecnologia dos materiais que englobam o manejo do forno e sua queima propriamente dita, ou seja, informar e programar a queima. 
    Quanto melhor conheceres o Forno Jung tanto mais poderás te beneficiar da tecnologia para os efeitos desejados.

    Vários fatores influenciam no resultado de uma queima:

    - Dureza do material (porosidade da peça - absorvendo mais ou menos a tinta):
    - Peça vitrificada ou biscuit;
    - Espessura da peça (peça com partes mistas - partes mais grossas e outras mais finas);
    - Qualidade da tinta (procedência da matéria prima - pigmentos);
    - Qualidade do Veículo e sua adequada aplicação (óleo, solvente,..);
    - Qualidade das peças;
    - Preparo das tintas ("batidas" de forma homogênea, sem grânulos, sem saturação de óleo);
    - Tempo de secagem natural antes de ir ao forno (imediatamente após pintada ou alguns dias depois, dependendo da técnica);
    - Temperatura inadequada (abaixo ou acima da temperatura ideal);
    - Tempo de patamar;
    - Carga "abafada", que dificulta a circulação do calor (na convecção);
    - Espessura do esmalte;
    - Temperatura de amolecimento do esmalte;
    - Não encostar peças de tinta molhada;
    - Não encostar lajotas diretamente nas resistências.

    Esses fatores devem ser levados em conta no momento da comparação de uma peça com outra, após a queima.

  • O que é a "temperatura ideal"?

    Cada cor (pigmento), precisa atingir um determinado grau de temperatura para deixá-la com sua luminosidade própria (brilho). Existe também uma tolerância maior ou menor de cada pigmento, quanto às misturas entre si, que ocorrem principalmente na pintura impressionista ( em forma de "esfumaceado" - quando as cores se fundem). 
    A "temperatura ideal" é quando se consegue equilibrar essas pequenas diferenças de temperatura entre os pigmentos e os diferentes materiais, conseguindo a luminosidade das cores e textura de forma padronizada em toda a peça, sem desbotar as cores, quer sejam cores puras ou misturadas entre si.
    E essa temperatura personalizada de seu forno se consegue descobrir através das queimas de testes. Por isso, recomendamos que se faça as queimas de testes com várias cores e em diferentes materiais, utilizando pinceladas de cores puras e outras pinceladas misturada com outras cores para observar o resultado.

    Quanto à pintura, existem algumas cores que exigem mais atenção, sendo:

    Cor Utilização da tinta Temperatura
    Cádmios (todos) Média/Grossa/não indicada p/ pintura impressionista Mais alta , devido a saturação de tinta
    Ocres e Vermelhos Dificuldade em ser misturada com outras cores, tendência a desbotar. Normal, ou, mais baixo
    Roxos normal Mais alta, devido à saturação de pigmentos (tinta importada)

    Aos poucos, você vai descobrir que as técnicas são infinitas e para cada técnica tem a temperatura considerada ideal. Após algumas queimas você saberá rapidamente qual a "temperatura ideal" de seu forno.

    Nada nos impede de misturar na mesma fornada peças de diferentes materiais (ex.: porcelana, faiança,...) tudo depende da técnica aplicada e saber antecipadamente qual a temperatura ideal para ambas ficarem com a mesma qualidade de queima.


    COMO UTILIZAR O FORNO PARA AS QUEIMAS

    Nos Fornos Jung não é necessário ter chaminé, nem deixar a porta aberta, pois são fabricados com o sistema "EG", um processo que elimina os gases poluentes (exceto no caso de fornos de cerâmica, os quais têm chaminé para liberar a umidade das peças).

    Quando uma peça requer mais de uma queima, por ser decorada com tintas para temperaturas diferentes, a primeira queima a ser feita é com as cores de temperatura mais alta, e as demais com as que exigem temperaturas mais baixas.

    RESFRIAMENTO NORMAL

    O Forno Jung (quando vazio), pode ser aberto em qualquer temperatura, pois o material com que é fabricado é altamente isolante e refratário. 
    Veja abaixo as dicas para abrir após a queima das peças:

    - Já falamos que os materiais que colocamos a queimar têm composição diferente, por isso é que cada material tem um tempo de resfriamento diferenciado;
    - A quantidade de peças (carga interna), influi no tempo para o aquecimento e o resfriamento; quanto maior a carga mais demorada a queima e o conseqüente resfriamento;
    - O forno esfria naturalmente pela dissipação do calor que atravessa as paredes;
    - Quando o centro das paredes externas estiver frio, a carga também estará em condições de ser retirada, ou quando você puder pegar na peça sem queimar a mão. Esta é a maneira mais segura para suas peças não sofrerem choque-térmico.


    RESFRIAMENTO ACELERADO

    Esta operação requer experiência e cuidado, quanto mais delicado o material, maior o cuidado:

    - Coloque somente o mínimo necessário de peças no forno e use separador na soleira;
    - Deixe livre a boca do forno, principalmente no lado do fecho (abertura);
    - Coloque, nesta parte livre no lado do fecho, uma peça de teste sem valor, mas do mesmo material das que estão no forno;
    - Feche o forno e proceda a queima normalmente;
    - Quinze minutos após terminar a queima, gire o manípulo no sentido anti-horário, deixando uma fresta entre a porta e o forno de mais ou menos dois centímetros, para a saída de calor. Anote a temperatura indicada.
    - Se antes dos 10 minutos a temperatura baixar mais de 100° encoste a porta um pouco mais. Mas se não ocorrer uma queda de 100°, pode-se abrir a porta mais um pouco. Siga o mesmo procedimento de 10 em 10 minutos. A medida em que a temperatura vai caindo, o resfriamento se torna mais demorado. Você pode compensar isto aumentando a abertura da porta.
    - Prossiga assim até que a carga possa ser retirada.


    OBS: Este procedimento não serve como rotina. É indicado somente para as pessoas que já obtiveram um bom conhecimento sobre condutibilidade térmica dos materiais como: porcelana, cerâmica, vidro, etc...


    CUIDADOS PARA QUE SEU FORNO DURE MUITO MAIS TEMPO

    A fibra cerâmica (recheio de seu forno) é a matéria-prima básica. Ela evita que o calor que se concentra durante a queima na parte interna do forno, atinja as paredes externas. Este material é o que existe de mais moderno em isolamento térmico.

    É um material muito delicado quando tocamos. Veja alguns cuidados fundamentais:

    1°) Quando pressionamos com os dedos, deixamos sulcos, ou, se for uma parte rígida, acabamos quebrando-a;

    2°) Evite bater ou apertar a porta além do necessário;

    3°) Nunca deixe seu forno ultrapassar a temperatura máxima permitida no termo de garantia;

    4°) Sempre que locomovê-lo, certifique-se que as resistências estejam deitadas nos respectivos canais; e, retire qualquer peça ou acessório de dentro do forno;

    5°) Verifique, antes de ligar o forno na tomada, se esta tem a voltagem compatível;

    6°) Ao substituir peças de desgaste, solicite à fábrica peças originais da JUNG;

    7°) Para a limpeza externa do mesmo, utilize apenas um pano úmido ou lustra móveis;

    8°) Queima de peças que contenham sais de um modo geral, álcali fortes e enxofre atacam a fibra cerâmica.

    9°) Argila, que na sua composição contém enxofre, corrói a estrutura do forno. Neste caso a estrutura do forno precisa ser de aço inox. 

 
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